O Menino do Pijama às Riscas de John Boyne

Resumo de audiolivro por StoryShots

Quem não vê o que está diante dos olhos nunca será inocente, só ignorante.

Introdução

Nove anos, uma vedação de arame e um amigo que veste pijama às riscas.

Parece o início de uma aventura, e é exatamente por isso que dói tanto.

John Boyne escreveu O Menino do Pijama às Riscas para mostrar como o horror pode caber na cabeça de uma criança sem que ela o reconheça.

O olhar de uma criança que não sabe o que vê

Bruno vive em Berlim com a mãe, o pai e a irmã Gretel, e a maior preocupação da sua vida são os três melhores amigos para sempre.

Quando o pai é promovido a comandante, a família muda-se para uma casa isolada junto a um campo.

Da janela do quarto, Bruno vê gente de pijama às riscas e conclui que são agricultores.

Chama ao lugar Out-With.

Repare no mecanismo.

Ninguém lhe mente de forma dramática.

Os adultos limitam-se a não explicar, e uma criança preenche os vazios com o que consegue imaginar.

Quantas vezes você também aceitou uma versão simples porque ninguém lhe deu outra?

A inocência de Bruno não é estupidez.

Cresceu numa casa onde o pai usa farda e onde certas perguntas não se fazem.

Uma explicação a meio é mais perigosa do que o silêncio total.

Quem não vê o que está diante dos olhos nunca será inocente, só ignorante.

Bruno ainda não sabe, mas a vedação que o intriga não foi pensada para o prender a ele.

A vedação que separa quem tem a mesma idade

Num passeio de exploração, Bruno encontra Shmuel, um rapaz judeu da sua idade, sentado do outro lado do arame.

Descobrem que fazem anos no mesmo dia, 15 de abril de 1934.

Partilham tudo o que podem partilhar através da rede: conversas, comida, perguntas.

Aqui está a tensão que ainda não se resolve.

Bruno repete o que ouviu em casa, que a Alemanha é o melhor país do mundo e que eles são superiores.

Mas à sua frente tem alguém que come menos, está mais pálido e é igual a ele em tudo o que conta.

Quando pergunta à irmã se são judeus, ela recua como se tivesse levado uma bofetada.

O que é, então, a diferença?

Quem decide quem veste pijama e quem veste farda?

Uma pergunta honesta que ninguém sabe responder já é um começo de resistência.

Entre uma vedação e a decisão de a atravessar fica a escolha mais difícil de toda a história.

Ensinam-nos a odiar, a amizade não precisa de ensino

A amizade entre os dois rapazes é a única coisa honesta nesta história.

Ninguém lhes ensinou nada, só se tinham um ao outro.

O ódio, esse, precisa de professores, de propaganda e de adultos que preferem não olhar.

Num dia de chuva, Bruno veste o pijama às riscas que Shmuel arranjou e passa por baixo da vedação para o ajudar a procurar o pai desaparecido.

Quase tudo na história deixa antever o desfecho.

O que torna o final insuportável é que os adultos que construíram aquele lugar só reparam no que aconteceu depois, quando já não há nada a corrigir.

Esta ficção tem limitações reconhecidas.

Organizações judaicas apontam que a obra simplifica o Holocausto e dá uma imagem demasiado inocente de civis alemães, e vale a pena lê-la com esse olhar crítico.

Funciona como porta de entrada, nunca como retrato fiel.

O mais incómodo é que a dor só chega ao pai de Bruno quando atinge o seu próprio filho.

Ninguém nasce a odiar, e uma amizade entre duas crianças prova-o melhor do que qualquer discurso.

Se isto mudou a forma como pensa sobre inocência e responsabilidade, alguém na sua vida provavelmente vai querer ler isto também.

Resumo Final

Esta síntese de O Menino do Pijama às Riscas, de John Boyne, liga três fios: uma criança que não compreende o que vê, uma vedação que trata iguais como diferentes e uma amizade que nenhuma ideologia consegue explicar.

Ficam por contar a mãe de Bruno, o criado Pavel e o que o pai descobre um ano depois.

Para o resumo completo de O Menino do Pijama às Riscas, vá à aplicação StoryShots.